Ambientes infantis “Obesogénicos”

De facto Portugal é um dois países da Europa onde a prevalência da obesidade entre as crianças é mais elevada, o que pode ser avaliado pelos estudos que existem designadamente com crianças entre os 3 e os 5 anos (mais de 2 em cada 10 crianças tem excesso de peso) e nas crianças com idades entre os 7 e os 9 anos em que mais de 3 em cada 10 crianças apresentam igualmente excesso de peso.

Seguramente existem dois factores muito importantes e que estão na base do crescimento da obesidade infantil em Portugal, por um lado a mudança nos hábitos alimentares, com a perda dos valores tradicionais da alimentação mediterrânica por parte dos pais o que se reflecte directamente nos comportamentos alimentares das crianças (menor consumo de sopa, frutos, hortaliças e legumes e menos cereais completos) e a opção por produtos de reduzido valor nutricional mas de elevada densidade calórica, isto é, alimentos pobres em nutrientes mas ricos em calorias e que podem engordar; por outro lado os portugueses são de todos os povos da União Europeia aquele que apresenta maior nível de inactividade física entre os adultos. Na verdade sabe-se que pais pouco activos têm maiores probabilidades que os seus filhos sejam igualmente crianças com baixo nível de actividade física.

Num estudo realizado com 400 crianças em idade pré-escolar verificámos que cerca de 60% das crianças não praticavam exercício físico e as que praticavam faziam-no em média 1,5h por semana. Já em relação a actividades sedentárias, em média, estas crianças despendiam 11,18 horas por semana a ver TV e 1,73 horas a jogar vídeo jogos. Preconiza-se que as crianças não passem mais de duas horas por dia nestas actividades e que tenham pelo menos 60 minutos de actividade física diariamente o que é o dobro dos adultos. Diga-se ainda que para um adulto ser considerado uma pessoa activa precisaria de dar cerca de 10000 passos por dia.

Ambientes infantis “Obesogénicos”
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