Plataforma Obesidade

Estima-se que mais de 50% da população mundial será obesa em 2025 se não forem adoptadas medidas concretas a serem desenvolvidas no âmbito daqueles três pilares. A obesidade é, por isso, muito justamente, considerada pela OMS como a epidemia global do século XXI. A incidência e a prevalência quer da pré-obesidade quer da obesidade têm vindo a aumentar na União Europeia e, também, em Portugal, constituindo um importante problema de saúde pública. Em Portugal, cerca de 32% das crianças com idades compreendidas entre 7 e 9 anos apresentam excesso de peso, sendo 11% obesas. Além disso, 24% das crianças em idade pré-escolar apresentam excesso de peso e 7% são obesas. Na idade adulta os indicadores são ainda mais preocupantes, uma vez que 50% da população tem excesso de peso, sendo 15% obesa.  Estima-se que os custos directos da obesidade absorvam 3,5% das despesas totais de saúde. A essência desta situação está, seguramente, relacionada com padrões de comportamento alimentar caracterizados por elevado consumo de calorias (açucares e gorduras) e, paralelamente, por dietas cada vez  menos ricas em cereais completos, hortaliças e frutos, para além de reduzidos níveis de actividade física. A génese da obesidade deve-se a sucessivos balanços energéticos positivos, em que a quantidade de energia ingerida é superior à quantidade de energia gasta pelo organismo, ainda que outros factores, também, determinem a sua origem, nomeadamente genéticos, culturais e hormonais. Neste contexto, o combate à obesidade e a prevenção devem ser uma prioridade política, nomeadamente dos Ministérios da Saúde e da Educação. Tornam-se necessárias acções de grande impacte mediático para alertar a população para a gravidade do problema, sendo, também, essencial encontrar e disponibilizar soluções quer ao nível dos Cuidados Primários quer dos Cuidados Hospitalares. A elevada prevalência da obesidade em Portugal, o aumento da sua incidência, a morbilidade e mortalidade associadas e os elevados custos que determina, constituem, assim, os principais fundamentos que explicam a necessidade de se estabelecer uma Plataforma Nacional contra a Obesidade. A sua implementação permitirá a diminuição e prevenção de doenças crónicas de elevada prevalência, como a diabetes e a doença cardiovascular e conduzirá a ganhos na prevenção de outras doenças como o cancro e as doenças osteo-articulares. Atendendo a que o sector da saúde não consegue isoladamente combater este problema, a Plataforma Nacional contra a Obesidade é uma medida estratégica, assumida politicamente a nível nacional, que visa criar sinergias intersectoriais, a nível governamental e a nível da sociedade civil.
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